terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Azul da cor do céu e do mar

(Mar Morto visto a partir da Jordânia)

Faz tempo que não vejo em nossas vitrinas e passarelas a cor azul dando o ar da graça, a exceção do jeans (índigo blue).
Nas grandes culturas ocidentais da Antiguidade como da Grécia e Roma o azul celeste era usado nas indumentárias durante as invocações a Zeus e Jupiter.
Na Idade Média, os pigmentos obtidos a partir do lápis-lazúli eram tão preciosos e valiosos quanto o ouro. Não por acaso a cor passou a ser usada na representação do Manto da Virgem Maria.
Nas culturas do Oriente Médio, os azuis de suas tapeçarias representam o divino, o espiritual e o firmamento. A pedra Turquesa (o nome já diz tudo) é usada para melhorar a saúde e o famoso Olho Grego (que é turco) dizem afugentar os maus espiritos e fluídos mentais negativos.
Na China (blue de Chine) a cor azul está associada às chuvas de monções que durante a primavera inundam e fertilizam as planícies, transformando as paisagens e colorindo tudo em múltiplos tons de azuis.
Van Gogh um dos grandes mestres da pintura usou e abusou do azul em suas obras.
Várias nações do mundo têm em suas bandeiras tons de azuis para lembrar a paz ou o céu (lembra que na nossa bandeira o azul representa nosso céu?).
Adoro azul. Essa cor me remete a sentimentos de paz interior e inspiração.
E por falar em inspiração as duas novas receitas criadas para a Manequim coincidentemente foram tecidas em tons de azul. E em algodão (uma delicia para usar no calorão)
Ambas receitas apresentam toques culturais e étnicos.
China in Blue lembra sutilmente a blusa ou colete da tradicional vestimenta chinesa durante muitas décadas .

Origami parece uma dobradura de papel que ganhei a algum tempo atrás. Tem formas fluidas e assimétricas na frente; dá para usar fechado por um botão, aberto formando um leve drapê na frente , traspassado e fechado por um cinto largo e macio ou uma faixa tecida em tricô (experimente tecer em cordão de tricô torcido para ficar mais firme e não esticar), ou até mesmo vestido de trás para frente se você estiver em forma e com tudo em cima....


Sei que tem gente que não gosta de azul, então experimenta brincar com verdes, vermelhos, tons de terra ou mesmo cru, afinal gosto é gosto né.... E na sua tricô-arte você é soberana.
A propósito, para quem não sabe como fazer uma montagem provisória em tricô usando agulha de crochê, tem um video explicando direitinho aqui.



Foto Colete Origami - Carlos Bessa

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Xô crise! Dá-lhe tricô!

Depois de muito pesar se valia a pena ou não voltar a postar aqui no blog, resolvi levar adiante este espaço que foi criado com muito carinho para falar de tricô, passar adiante um pouco do que aprendi ao longo de muitos anos brincando e às vezes brigando com as agulhas.
Meu silêncio se deu apenas por falta de tempo e de inspirção para escrever algo de interesse, ou mesmo postar uma nova receita. Afinal, não dá prá pisar na bola com quem gentilmente me visita.
O ano está correndo solto, as crises (materiais, morais, espirituais) batendo às portas de muitas familias e nessas horas, nada como um bom tricô, ainda que básico, para preencher o 'tempo extra' que muitas pessoas têm. Muitas vezes somos obrigados a permanecer em casa por falta de emprego ou por motivos de saude. Outras vezes ficamos em casa por opção, mas aí só a televisão, o livro, o computador, os afazeres domésticos nem sempre preenchem uma certa sensação de vazio, aquela sensação de estar perdido que nem cachorro que caiu da mudança.
Nessas horas o tricô, assim como outras tantas artes manuais nos trazem alento. E às vezes até uma grana extra. É certo que ninguém vai ficar rico e poderoso fazendo tricô, mas tem muita gente se dando bem com isso. (o que não é o meu caso).
O mercado de fios está de vento em popa trazendo novos lançamentos, lojas especializadas em armarinhos, artesanato e fios estão investido pesado nas vendas online (diga-se de passagem algumas lojas online são absolutamente impecáveis em termos de eficiência no envio das mercadorias como é o caso do Bazar Horizonte, Aslan e H.Marin).
Nossas publicações sobre tricô e crochê é que ainda não entenderam o espírito do novo tipo de consumidor que pipoca aqui e acolá, dia após dia, ávido por boas publicações com contéúdo interessante e padrão editorial de melhor qualidade. Mas isso tende a mudar. Não dá para parar no tempo e nivelar sempre por baixo quem busca informação sobre as artes tricotísiticas ou crochetísiticas.
Sonho com o dia em que vou encontrar na banca da esquina uma revista especilizada em tricô com o padrão da Vogue Knitting, só para citar minha revista favorita. Viajo na batatinha, imaginando livros poderosos, com capa dura, maginificamente ilustrados, e em português (não que o inglês seja uma barreira), enfeitando às vitrines da Livraria Cultura.
Devaneios a parte, acho que já evoluimos muito nos últimos tempos.
E para melhorar ainda mais nosso ânimo, os grandes desfiles Fashion Rio e SFW ne início do ano trouxeram muita coisa em tricô nas várias coleções, sinalizando uma moda que veio para ficar.
Sou sincera, não sou muito de modismo, mas gosto de saber das tendências. Afinal, agente nunca sabe se qualquer dia vai querer desfilar por aí com um vestinho mini, balonê e com manguinhas bufantes (ai que horror).
Gosto do clássico no tricô do dia a dia e coisas mais peruescas de quando em quando para uma ocasião especial.
Apostando na idéia do mais clássico e democrático em termos de tricô a Aslan está com novas receitas no seu site, onde esta tendência já pode ser vista. Não deixem de olhar com carinho a linda receita da Blusa Alecrin (muito classuda) tecida por uma tricoteira-arteira muito querida (né Paula), um xale 10 tecido por alguém que tem o dom de transformar os fios em tramas lindas (né Verinha). Eu também estou lá com o Casaco Aniz.
E tem mais, mas isso já é para um outro dia. Xô crise! Dá-lhe tricô.