segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Seu manequim: Divagações sobre medidas, receitas e modelos

Alguns blogs de tricô e outras manualidades são altamente inspiradores e o assunto de hoje surgiu exatamente após a minha visita a um blog muito simpático , cheio de idéias e coisas muito bem tecidas:
Falar sobre medidas, receitas e modelos que encontramos na net, em revistas e livros.Um assunto extenso e até certo ponto controversomas que vale a pena.
Para começar, responda sinceramente: Quando você lê uma receita em português (entendade-se como receitas em português aquelas receitas atuais (com no máximo 7 anos) publicadas em revistas e sites brasileiros) e vê o manequim estampado logo no início da receita, você sabe exatamente o que significa aquele número 38, 40 ou 42?
Você alguma vêz já se deu conta que o manequim 42 da receita que você está seguindo é diferente o manequim 42 de uma outra receita super parecida com a sua? E porque acontece isso? Simplesmente porque o número 42 ou 38 ou 46 é uma coisa totalmente abstrata para a maioria dos mortais e porque aqui no Brsil ainda estamos engatinhando em termos de normas e padrões de medidas para a indústria do vestuário.
Se você observar as receitas
americanas, européias ou japonesas, elas sempre vêm acompanhadas de referências númericas para os respectivos modelos ou apresentam um esquema gráfico contendo as medidas dos repectivos manequins. Sem falar que a maioria das receitas são desenvolvidas em vários tamanhos. Para você entender melhor qual é a idéia de medidas importantes para que sua obra tricotística lhe sirva direitinho veja quais são as medidas principais a serem levadas em conta:
Medidas primárias:
Contorno do Tórax/Busto
Contorno da cintura
Contorno do pescoço
Altura/comprimento

Algumas medidas secundárias:

Contorno do quadril (muito importante se vc. tem quadril largo)

Largura das costas (costado)

Comprimento do ombro

Contorno do braço

Comprimento do braço


Agora que você já sabe o que deve ser levado em consideração na hora de escolher seu modelo, aproveite e veja o restante das medidas para vários manequins numa tabela que preparei para quem gentilmente me visita.


Quando pensamos em receitas legais para as (os) réles seres mortais (entenda-se como rélis seres mortais mulheres e homens de carne e osso, muito longe dos padrões anoréxicos que desfilam pelas passarelas) aí então dá vontade de chorar, jogar as agulhas e fios pro alto e abandonar de vêz qualquer tentativa de tecer algo usável. Ora as receitas se limitam a paninhos, quadradinhos e costuradinhos, tudo rapidinho, sem medidas razoáveis e sem manequim, perfeitas para quem se identifica com uma garrafa pet, afinal todas são 'praticamente' iguais e do mesmo tamanho.Tamanho único é isso: o que serve no Zé, serve no Mané, ainda que Zé seja diferente de Mané.
Ou então você se depara com receitas aparentemente legais que infelizmente muitas vezes incorrem na famosa questão do manequim: só servem para as bonitinhas, jovenzinhas e com tudo (ou quase tudo) no lugar. Tenho um teoria a respeito desse tipo de receita, alías, de como nós tricoteiras-arteiras aqui no Brasil somos vistas: nós somos as vovós que tecem coisas engraçadinhas para as netas gatinhas....

Só pode ser isso, pois senão o bolerinho, a regatinha, o poncho todo peludo já teriam saído de cena a muito tempo. E é lógico, o modelito da novela já teria evoluído para algo usável por qualquer uma sem correr o risco de ficar parecendo que vestiu a capa de botijão de gás.
Se você anda em busca de modelos legais (alguns nem tanto, mas gosto é gosto) sugiro visitarem algumas páginas bem interessantes lá de fora, tais como:
Garnstudio, Adrialfil, Straw, Berroco, Vogue, Interweave Knits, Abracadafil, Prima, Knitty, só para dar alguns exemplos.
É tanta informação, tanta inspiração 'di grátis' que você vai precisar virar a mulher-polvo para tecer tudo o que lhe apetecer. Mas não custa lembrar um detalhe super importante antes de começar a se alvoroçar toda com as inúmeras receitas: tem que tecer a famosa amostra de pontos para adequar o modelo e manequim aos fios que dispomos por aqui (a menos que você possa adquirir exatamente o fio que aparece na receita, ainda assim terá que testar se a tensão do seu ponto se iguala à tensão que é dada na receita). Amostra???!!!

O pai dos blogs de tricô
descreve com maestria o quanto essa pecinha chamada amostra é indispensável para sua obra se tornar realmente um primor. Sei que você deve estar me xingando por sugerir apenas páginas em outras línguas: Xinga não! Com um glossário à mão, um pouquinho de boa vontade e um desejo tecer algo diferente do que se encontra por aqui, tenho certeza que você consegue. Afinal tricô também é cultura. Bom tricô!

17 comentários:

Eliz Tricotando disse...

Eu ri muito do seu post, juro. Ah, as receitas... Foi-se o tempo que eu confiava nelas, mesmo porque meu corpitcho de mulher de 40 e mãe de três filhos em nada se parece com as voluptuosas ou nem tanto modelos. Quando que eu uso algo abaixo de 44? Olha, quando eu tinha 15 anos, já vestia 42 porque sempre tive quadril grande e ombros largos. Sempre usei M ou G e jamais cheguei perto de um tamanho P. Sem falar que, dependendo da roupa e de onde foi fabricada, eu usava... SMALL! Incrível! Eu sempre tenho que adaptar qualquer coisa que eu tricote, embora faça muito pouco tempo que eu tenha voltado. Até para fazer modelos para meus filhos eu tenho que tecer amostras, raramente uso os fios recomendados pois minha mente um tanto criativa e hiperativa adora misturas de fios e cores e não vejo graça em ficar robotizando modelos todos iguaizinhos. Adoro comprar fios e recentemente fiz uma loucura e acho que comprei tudo que estava em promoção na Aslan. Amei as caixas de fios lindos, muitos dos quais não tenho uma receita sequer para testar, mas não importa. Tricotar é algo que é uma paixão, como você disse no meu blog e como eu digo no seu e para tudo a gente dá jeito. Ainda não me aventurei em receitas em inglês, mas vou tentar. Vou mulher de pouca prática em tessituras, mas sou bem disciplinada e tenho por mandamento que a gente é capaz de aprender tudo, tudo mesmo. Afinal de contas quando eu era criança, e mesmo adolescente, não havia internet, nem blogs, não havia cd, nem dvd, muito menos pendrives. Máquina de escrever eu tenho em casa até hoje e nem por isso não aprendi a mexer em blogs, photoshop, mp3 players. Ou seja, eu sou teimosa que só eu e vou aprender meu tricô de cada dia. Com amor e paixão. Ah, eu já tinha visitado seu blog, mas me enrolei para postar um comentário... É, lidar com a tecnologia pode ser meio complicadinho, mas a gente consegue. Ah, e bem vinda ao grupo das que são horríveis com máquinas digitais de fotografia... Minhas poucas fotos ficaram, digamos assim, totalmente impossíveis. Grande abraço e, seu blog é TUDO DE BOM! Beijos e ótimo dia.

kelly carneiro disse...

Oi Grace, tudo bem?
Lendo esse seu post, lembrei que as receitas americanas, japonesas, além das medidas, ainda informam o nome da lã e seu peso, pra facilitar quando formos substiruir a lã, adequando-as à realidade brasileira...isso faz falta, pois à svezes a lã já saiu de linha e a gente não sabe o peso pra comprar outra semelhante...snif!
Adorei o post!
Beijos

Claudia disse...

Muito obrigada pelos arquivos e dicas! Para uma iniciante como eu ajuda muito!
Concordo ao enésimo grau com a questão dos manequins e não é só em tricô não. Mas a gente vai aprendendo a fazer do nosso jeito e ficando mais "pop" assim. :D

Miriam Fabiano disse...

Hehehehe... Nem sou tão velha assim e nunca usei nada maior que P se for nacional, ou M fora do Brasil, mas me identifiquei de imediato com o post. Porque, oras bolas, eu sempre acabo tendo que "customizar" a receita... Vivo de fazer amostrinhas, e eu de-tes-to fazê-las. Malditas! Mas necessárias, hehehehehe...

Adriane Tonna disse...

Adorei seu post!

Ja desmanchei muita coisa por causa da preguiça de fazer as tais amostras!
Abraços!

Olivia Claudia disse...

Adorei o texto!
Depois publica as dicas que me deu pra tirar o cheirinho de guardado das lãs ;))

Anônimo disse...

Olá "Milady", é sempre muito bom visitar o seu blog...para começar, concordo com vc no quesito medidas, porém, meu maior problema é encontrar as "ditas" lãs ou linhas, sugeridas nas receitas, quase sempre já saíram de mercado, ou nem siquer apareceram,não tem a cor sugerida, essas coisinhas básicas...consumidores brasileiros?..."sofrem"!!!!Bjoks!!!Nádia.

Linhas, lãs e afins... disse...

Ah, desde que você criou esse blog me tornei fãzona dele. Acompanhei a eliminatória do concurso da Linea Italia, e achei um disparate você não ter ganho... Mas você não ficou fora do ranking! O que eu, como reles "copiadora", acredito ser muito gratificante.

A primeira (e até agora, por falta de muitas coisas, a única) peça que me aventurei a fazer sozinha, "de cabeça", é mesmo aquela blusa que postei há (muitos) meses no meu blog. Devo confessar que amei a rapidez com que a fiz, pois o fio era irregular e de espessura tal que pude utilizar agulhas relativamente grossas e terminei o trabalho em cerca de 2 semanas (só tricotando à noite, pois de dia tinha de trabalhar). Imagina como meus olhos não ficaram cheios com a sua blusa tão maravilhosa, numa cor pela qual sou apaixonada!

Ah, mas qualquer dia desses, quando o corpitcho voltar a usar roupas "não gravídicas" e minha conta bancária estiver mais do que satisfatória, é sem dúvida que vou me aventurar a fazer aquela peça ímpar!

Obrigada pela visita e pelo comentário tão carinhoso. Não foi esforço algum escrever aquele post, viu!?

Beijos de (mais) uma fã.
Carolina

Sônia Maria disse...

Olá, Grace!
Adorei seu post!
Fiquei muito feliz com a sua visita ao meu blog e suas palavras atenciosas.
Seu blog está na minha lista de blogs.
Gostei muito do que vi e li aqui.
voltarei mais vezes com certeza.
você, também, quando puder e quiser apareça! Será um prazer recebê-la.
Abraços com carinho,
Sônia Maria

Grazi disse...

Grace, que legal teu blog, guria!
Parabéns!

Ana Rosa disse...

Grace, querida professora, saudades à parte, o post está ótimo.bjs. ANA ROSA

(¯`·._.·Márcia·._.·´¯) disse...

Ola adorei seu blog.
Tomei a liberdade de levar seu link.
Adorei seus arquivos!!!
bjos!!
Marcia

Rebeca disse...

Oi Karen,
adorei ler este "post" ... ontem mesmo numa livraria pensei em comprar uma revista de trico, mas ficou só no "pensamento" e na "decepção" ao observar as ditas cujas fotos e receitas.....
Graças a "rede" temos acesso a designs e receitas que realmente levam a sério o que publicam(manequim,tipo de lã, no.de agulhas,etc...).
E a dita cuja "amostra" é fundamental!!!
abraços,

Anônimo disse...

Milady, vc realmente é uma raridade, uma pessoa atemporal, certeira nas opiniões e leve no modo de apresentá-las. Seu blog como sempre é ótimo, trás o novo em forma de reflexão! Bjs. Fabiane Lima

Paula disse...

Olá Karen!!!

Adorei o seu post!!
Tenho pensado muito nisso ultimamente!
Depois de passar alguns anos sem trabalhar resolvi fazer uma especialização em Qualidade e Produtividade... mas o meu negócio mesmo é tricotar!
Unindo o útil ao agradável fico pensando em minhas aulas como a indústria brasileira de fios e mesmo as multinacionais que aqui estão, não têm o mínimo de padronização e como isso afeta a qualidade.
Acho que venderiam mais se facilitassem as coisas, pois as revistas com receitas são patrocinadas por eles.
Você já visitou a página www.craftyarncouncil.com/ (Craft Yarn Council of America)?
Tem até curso para quem quiser ensinar tricô!
Podíamos começar um movimento a respeito e quem sabe não posso unir o útil ao agradável e fazer algum trabalho baseado nisto para a pós?
Parabéns pelo trabalho!!!

Beijos

Paula

Paula disse...

Olá Karen!!

Parabéns pelo post!!
Tenho pensado muito neste assunto ultimamente.
Apesar de ser tricoteira de carteirinha, faço especialização em Qualidade e Produtividade e fico sempre refletindo como as fiações que estão aqui no Brasil, nacionais ou multi, não têm a mínima padronização para nada.
A começar pelos fios que alguns nem sugestão de que agulha devo usar tem, as receitas publicadas nem se fala...e são as próprias empresas que as patrocinam...
Não sei se vc conhece o site www.craftyarncouncil.com/(Craft Yarn Council of America)
De só uma olhada e depois me diga se estamos engatinhando ou não!?
Podíamos iniciar um movimento a respeito, e quem sabe não posso unir o útil ao agradavel e usar este tema para meu trabalho da pós!
Parabéns pelo excelente trabalho!!!
Beijos

Paula

cleo a fada dos pontinhos disse...

oi flor, sabe o que me chamou a atenção nesta imagem que colocou neste post? a cena veio na minha cabeça automáticamente, pois se imaginar uma só tricotando e o resto da sala escrevendo, essa será eu na escola primária infernizando minha profesora da 4; série enquanto ela enchia a louza de lições e depois sentava se na mesa dela para tricotar...como eu sentava na frente de sua mesa, ao inves de escrever, ficava horas olhando ela...quando ela percebia brigava comigo...
até que um dia perguntou se queria aprender,pois só assim iria fazer as lições direito...no dia seguinte trouxe lã e agulha e aprendi...tinha 9 anos...aff já faz tempo...
no entanto parece ontem vendo sua imagem flor....vc é um barato. bjus