terça-feira, 28 de agosto de 2007

As ferramentas modernas - Primeira parte

Esquecidas por algum tempo, pelo menos aqui no Brasil, as agulhas circulares vêm ganhando espaço entre as tricoteiras e arteiras dia após dia. Por sua versatilidade, praticidade e boa durabilidade, muita gente já abandonou as agulhas retas tradicionais e usa as agulhas circulares para tecer tudo.

Mas o que é uma agulha circular? Explicando de uma maneira bem simplificada, a agulha circular nada mais é do que 2 pedaços de agulha normal ligados por um fio. E alguém de repente vai perguntar, e só serve prá tecer em círculo? A resposta é não. Dá prá tecer o tricô reto ou aberto também. É só imaginar que cada ponta da agulha é uma agulha inteira e quando chegar ao final da carreira, ao invés de se fechar o círculo, vira-se o trabalho e continua a tecer normalmente. A numeração quanto a espessura é a mesma das agulhas retas, mas o fio de ligação entre elas varia de 40cm a 1,50 m. Até alguns anos atrás a Pinguoin distribuia agulhas circulares através da marca Pastifama.

Muitas veteranas antenadas no que rola do mundo das agulhas do tricô são literalmente apaixonadas por determinadas marcas ou tipo de agulhas circulares que são vendidas no exterior. O grande xodó é o Kit Denise e as agulhas Addi (estas também conhecidas como as "Ferraris" do tricô, apesar de serem alemãs). Eu vou mais além e incluo nesta lista o Boye Neddle Master Kit.

O Kit Denise e o Needle Master seguem o mesmo princípio de funcionamento: agulhas intercambiáveis. São encontradas em estojos compostos por várias agulhas de espessuras diferentes, e vários cabos com terminações em rosca que serão atadas as agulhas. Você consegue montar a agulha de acordo com a sua necessidade. No kit Denise as agulhas são de plástico e no Needle Master são de metal.

As famosas agulhas Addi são em liga de bronze revestidas com uma camada niquelada da melhor qualidade. As juntas da agulha com o fio são perfeitas e você jamais ficará irada com um trabalho 'engasgado' na agulha porque a junta enrosca o fio, ou a ponta da agulha é grossa demais para você tecer o próximo ponto.

Existem também ótimas agulhas de bambu japonesas (Clover), e em alumínio pintado da Prym ou Inox só para dar alguns exemplos.

E para quem não pode ou não que gastar com esta parafernália importada tem alguma solução nacional?

Depois de muita luta para encontrar esta preciosa ferramenta por aqui, finalmente alguns distribuidores de fios resolveram importar agulhas da China. A Aslan e a Coats Corrente estão importando agulhas de alumínio pintado, de qualidade razoável, porém os comprimentos são restritos. A numeração vai do 3,0 ao 8,0mm com comprimento variando de 40 a 60cm. Este comprimento é medido de ponta a ponta das agulhas (Aslan) No caso da Coats as agulhas só vão até o número 6,0mm .

A Telanipo tem um estojo de agulhas intercambiáveis de bambu importado do Japão a um preço salgado e a Armarinho.com têm agulhas de madeira (artesanal) nas espessuras maiores. Estou em fase de pesquisa para descobrir mais algum fabricante ou distribuidor aqui no Brasil. Aguardem notícias.

Resta ainda a alternativa de se fazer as próprias agulhas. Para quem for habilidosa, é só dar uma olhada no Blog da Geny . Ela fez sua próprias agulhas e parece que ficaram ótimas.

Por fim, uma dica para utilização e conservação das agulhas. Quando tirar a agulha da embalagem, antes de usar, dê uma amaciada no fio, mergulhando em água quente por alguns instantes e depois pendurando a agulha na maçaneta da porta (esta dica ótima está no blog da Sandy).Procure guardar suas agulhas em saquinhos etiquetados com o respectivo número e comprimento (aqueles saquinhos tipo zip loc são ótimos e bem resistentes). Se não for usá-las por algum tempo, não esqueça de lubrificá-las com óleo para bebês, principalmente nas juntas do fio com a agulha. O óleo para bebês é perfeito pois não contém solventes que poderiam afetar o plástico do fio, reduzindo sua resistência.

Denise Interchangeable Knitting Needles

Boye Needle Master

O assunto sobre agulhas circulares é extenso, interessante e até certo ponto m pouco polêmico, porisso vou parar por aqui, esperando seu comentário ou dúvida.




domingo, 26 de agosto de 2007

As ferramentas do artista.

Passada a euforia da comemoração do Dia Nacional de Tricotar em Público é hora de falar um pouco mais sobre tricô.
Quando falo em euforia, tenho que me justificar porque nem todo mundo saiu às ruas de levando seu tricô em baixo do braço, mas ao menos 15 pessoas se reuniram para tricotar no
CAFÉ E RESTAURANTE ATHENAS II (Rua Antonio Carlos, 460 – Consolação, São Paulo). Fomos muito bem recebidas por todos do staff e em particular pelo gerente, sr. Marcos.

Para quem mora em São Paulo e trabalha na região da Av. Paulista, deixo a recomendação para conhecerem o lugar.

Mas voltando ao assunto tricô, ontem durante o encontro, fiquei observando as agulhas de tricô que cada uma estava usando. A maioria usava agulhas plásticas de grossuras que variavam entre 4,0 e 6,0 . (Algumas usavam agulhas circulares, mas isto vou deixar para um outro dia)

Aproveitando a deixa resolvi falar um pouco sobre agulhas, seus materiais e algumas dicas para a sua conservação.

As agulhas são para o tricô o mesmo que os pinceis são para o pintor. Ferramentas indispensáveis para execução de qualquer trabalho, precisam de cuidados e outras coisinhas mais.

Para quem já faz parte do mundo mágico das duas agulhas talvez o que vou falar não tenha muita utilidade, mas para aquelas que querem se aventurar no tricô (e certamente se apaixonar), aqui vão algumas observações:

  1. A numeração comercial das agulhas de tricô encontradas aqui no Brasil vão do 2,0mm a 15,00mm. Numerações menores ou maiores, não são tão comuns ou fáceis de encontrar. Os materiais mais populares são o plástico , alumínio pintado ou niquelado, madeira ou bambu. Infelizmente o que encontramos por aqui deixa um pouco a desejar em termos de qualidade, principalmente quando se fala em agulhas plásticas ou madeira. Àquelas de numerações mais finas (de 2,0 a 6,0mm) são feitas de uma haste metálica recobertas por uma capa plástica. As pontas são mais frágeis e não é raro você ser premiada com a ponta da agulha se quebrando bem no meio daquele ponto ou trabalho mais elaborado. As terminações também costumam soltar vez por outra, quando se colocam muitos pontos na agulha e força os pontos contra os terminais.

  2. Agulhas plásticas mais grossas (de 7,0 a 15mm) normalmente são feitas em plástico injetado e moldado . São ocas por dentro e a ponta e 'colada' depois da moldagem da agulha. Costumam ser bastante resistentes, porém algumas apresentam a ponta muito pequena e pouco apontada.

    Isto significa que tecer determinados pontos com elas se torna um verdadeiro desafio.

  3. As agulhas de metal pintado eletrostáticamente ou niqueladas, normalmente são de melhor qualidade que as aguilhas plásticas e sua durabilidade muito maior. Sua numeração comercial vai do 2,0 a 8,0mm e as pontas são bem definidas. Muitas tricoteiras que ainda não tem total controle na hora de tecer não gostam das agulhas de metal porque o fio escorrega mais. Ainda há a questão do tilintar (eu adoro aquele barulinho), mas tem gente que odeia.

  4. Tanto as agulhas de plástico quanto as metálicas que são vendidas aqui no Brasil têm o comprimento que varia de 30 a 38cm.

  5. As agulhas de madeira são de um modo geral fabricadas de modo rudimentar (não estou falando artesanal), as espessuras são imprecisas , apresentam muitas vezes reentrâncias na madeira e as pontas são grossas, bem toscas. Caso tenha se apaixonado por alguma e comprado, deixe guardadinha por um tempo. Será preciso paciência e habilidade com lixas, estilete e verniz para deixa-la em condição de uso. Quanto as agulhas de bambu, vou falar delas outro dia, juntamente com o materiais importados de boa qualidade.

A esta altura voces já devem estar se perguntando e qual a melhor agulha? Costumo responder que para quem nunca se aventurou, opte de cara por uma de metal para as numerações mais finas. Se forem bem guardadas após o uso vão durar muito. Para as numerações mais grossas, não temos muitas opções. Ou é plástico ou é madeira.
Uma dica para prolongar a vida de suas agulhas de plástico é lubrificá-las com oléo para bebê antes de guardar por um longo período. Isto lubrifica o plástico e evita que a agulha começe esfarelar. Passe o óleo com um algodão , coloque num saquinho plástico e guarde de preferência na horizontal. Quando for usar, é só lavar e secar bem.


terça-feira, 21 de agosto de 2007

Um instante maestro! Com vocês Os blogs de Tricô



Nesta semana em que será comemorado o Dia Nacional de Tricotar em Público, quero lembrar alguns blogs de tricô que temos aqui no Brasil.

Descobri o mundo dos blogs de tricô em 2005 meio por acaso. Buscava inspiração e informações sobre outros assuntos quando me deparei com As Tricoteiras de Sampa (hoje extinto). Li, reli e achei toda aquela conversa girando em torno do tricô simplesmente o máximo. Me interessei em saber quem mais estava envolvido nesta nova maneira de se falar sobre trabalhos manuais. Procura daqui, fuça de lá e me deparei com aquele que costumo chamar de o pai dos blogs 'tricotísticos' na Terra Brazilis: O Montricot que na época me despertou novamente o interesse em tricotar.

Qualquer coisa que se fale sobre o Montricot será pouco mas sem dúvida as abordagens tão diretas da Solange, os cometários sobre os diversos assuntos que ela lançava e lança como debate, com muita propriedade e conhecimento, me fizeram tirar as agulhas do baú, reciclar informações sobre novas ferramentas, livros, fios. Através do Montricot conheci o elegante, mas hoje extinto Tricocheteira da Majô, o informativo e didático O Fio da Meada da Rosi, e o solidário Tricô Solidário da Junia. Aliás,o Tricô Solidário me emociona por sua intensão e propósito.

Não quero ser injusta ao não enumerar um a um (porque o espaço é pequeno) os outros tantos blogs feitos com carinho para entreter, informar, ensinar, levar alento e carinho àqueles que muitas vezes não podem sair de casa e que têm nestas mensagens escritas diariamente, o alento de suas tristeszas e solidões. Mas dá para lembrá-los sempre(veja os links) e visitá-los.

Afinal, o mundo virtual é muito mais real do que se imagina.





domingo, 19 de agosto de 2007

Nem sempre o que se gosta foi feito para ser usado

No ano passado vi este modelo no site da Lion Brand e achei interessante a primeira vista, apesar das franjas não fazerem muito o meu estilo. Salvei o link e esqueci.

Quando o inverno deu o ar da graça aqui pelos lados do sudeste, deixei de lado algumas coisas que estavam nas agulhas e resolvi fazer algo diferente para mim. Como adoro misturar texturas e fios, chutei o balde: na cor escolhida, no fio peludo que estava ocupando espaço de outros fios bem melhores e mais usáveis... Sou arredia a tricôs sem forma, então resolvi mudar algumas coisinhas na receita original quanto ao início e final da peça.

Munida de receita, fios e agulhas me pus a tecer aquele bicho de pelos. Tecia e media, tecia e media. E nada daquele pano gigante mostar que serviria em mim. Quando finalmente alcancei a medida indicada na receita para o comprimento da peça, surpresa! Constatei que no máximo, se terminasse a receita alí, ela serviria para uma criança. E olha que sou pequena!

Como não queria perder um trabalho de dias, toquei adiante até acertar a questão das medidas que aparecem na receita original.

Resultado? Não gostei. A idéia é legal, a textura ficou super gostosa e quentinha, mas não é prático. É modelo prá tirar fotografia e só. Quando você se mexe, tudo se desloca e o lindo drapeado vira um pano enroscado no pescoço. E mais um detalhe, fio peludo pode ser moda por aqui, mas tem que ser usado com parcimônia. Por mais que eu me esforce para gostar dos pelos, me sinto como um panda vermelho.


Moral da história: nem sempre 'aquele modelo lindo' que vemos nas revistas, novela ou sites foram criados para réles mortais. Nem sempre são para serem usados, quando muito para serem admirados.



sábado, 18 de agosto de 2007

Tricô, uma moda que vai e que vem.

Que o tricô sempre esteve presente na moda não tem como negar. Ora em evidência, ora esquecido e relegado a coisa de vó.

As fotos mostram um casaquinho e suas diversas facetas e interpretações ao longo de mais de 50 anos de moda.

O que nossas avós ou mães usaram um dia, ainda continuamos a usar hoje.

Os padrões estéticos mudaram, as fibras também. Mas a magia do tricô permaneceu, reinventando formas e cores, ajudando a descobrir o prazer de criar alguma coisa para nós ou para outros.



(Casacos da década de 40, década de 60 e dias atuais (2006)

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

E tudo começou aqui


Não recordo exatamente quando peguei pela primeira vêz numa agulha de tricô. Devia ter uns 5 anos. Dessa época não tenho mais nada guardado. Só me lembro que teci um cobertorzinho azul para uma das minhas bonecas...
Outro dia mexendo nos achados e guardados encontrei estes 2 sapatos de tricô que teci no colégio quando tinha 8 anos. Teci no colégio porque trabalhos manuais era matéria avaliada mês a mês. Meninas e meninos faziam tricô, crochê, bordado. Meninas e meninos esculpiam madeira, moldavam argila, aprendiam a plantar, a fazer pão. Ai que saudades deste mundo bom que a escola proporcionava a todos (http://www.ewrs.com.br).
A receita do sapato se perdeu no tempo, mas sei que foram tecidos com 5 agulhas (agulhas que ainda tenho) e iniciados a partir de um quadrado com 10 pontos.
Os sapatos ou Pantofels nunca foram usados apesar de servirem perfeitamente.Minha mãe achou tão lindo que guardou (coisas de mãe). Estão se desintegrando com o tempo, mas vão permanecer para sempre na minha memória e no meu coração.

Abrindo as portas para o mundo dos blogs

Nunca imaginei que algum dia me renderia à comunicação por meios eletrônicos. Minhas habilidades com as máquinas não são das melhores. Brigo com comandos do computador, não tenho a menor idéia o que significam metade dos termos usados pelos internautas de carteirinha. Sou do tempo da máquina de escrever manual e depois das barulhentas máquinas de escrever elétricas e eletrônicas.
Mas não posso negar que a melhor maneira de se comunicar com o mundo hoje é através desta maquininha mágica chamada computador e uma poderosa ferramenta chamada Internet.
E onde é que entra o tricô nesta história?
A minha paixão pelo tricô me fez repensar conceitos. Resolvi encarar o desafio de mostrar o que faço, o que gosto , ensinar o que sei, e aprender o que não sei, com gente especial que certamente prestigiará este espaço.
Então, sem mais blá blá blá! Vamos tirar as agulhas, lãs e linhas do baú e sair pro abraço , ou melhor para o TRICÔ....

25 DE AGOSTO

Dia Nacional de Tricotar em Público!

No próximo dia 25 de agosto, convidamos tricoteiras e tricoteiros de todo o país a pegarem suas agulhas, lãs e linhas e ... tricotarem em público.

O Dia Nacional de Tricotar em Público pretende tomar conta das ruas das cidades.

Como nos velhos tempos em que se colocavam cadeiras na calçada e se tinha tempo para conversar por horas a fio com as vizinhas, a idéia é assumir publicamente nossa paixão por esse trabalho manual.
Vale tricotar em qualquer lugar: na fila do supermercado, no cinema esperando o filme começar, em cafés e restaurantes enquanto o prato não chega, nas praças, ônibus e metrô.
Chame uma amiga ou tricote sozinha. O importante mesmo é mostrar ao mundo que a idéia de se fazer tricô não é só coisa de vovós!
Tricô é uma forma de expressão, de talento e criação. Ajuda a reduzir o estresse, faz bem para a mente que permanece ativa.
TRICOTAR EM PÚBLICO!
PASSE ESTA IDÉIA ADIANTE
O Dia Nacional de Tricotar em Público surgiu como idéia entre amigos de uma lista de discussão sobre tricô na internet. O grupo é formado por pessoas de diversos estados brasileiros, com formações e idades variadas.
A iniciativa não tem interesses financeiros e se propõe apenas a isso: divulgar o tricô como hobby e convidar as pessoas a tricotarem mais. (Texto de Clara Quintela)