sexta-feira, 19 de abril de 2013

Seu tricô tem classe?

Não costumo falar de assuntos alheios ao tricô aqui no blog, mas hoje vou sair um pouco dessa regra.
Há algum tempo venho me 'incomodando' com comentários econômicos que alardam o 'crescimento' das classes sociais.
"A classe C vai às compras", "Mercado se aquece visando a classe C", e vai por aí afora.
Pensando em 'agradar' a 'tal classe C', rotulam-se produtos para a classe C, D,  E..... como se o dinheiro que compra este ou aquele produto viesse com um carimbo de origem: produto pago com dinheiro da classe A, B, C e assim por diante.

Alguns canais de tv a cabo resolveram dublar grande parte dos seus programas ' visando um novo nicho do mercado'.
A máquina de lavar, o fogão, a geladeira, o sofá,  tudo  produzido para ' a tal da  classe C', ficou 'copiadinho', bonitinho, descartável  e ordinário.
Para 'impressionar' as 'classes emergentes' até roupas de cama 'lindas'  em poliester vagabundo viraram 'luxuosos' edredons e lençois em Microfibra (nome chique para o mesmo poliester vagabundo que conhecemos) que 'imitam' o percal 200, 300,1000 fios.

Daqui um tempo vamos nos deparar com 'boi de segunda' (este será o boi que foi engordado em pasto ralo e pobre) porque a carne do bicho será produzida pensando na classe C, D....m..

Até nas artes manuais a coisa também descambou para a estupidez do dinheiro rotulado.
Fios de boa qualidade e agulhas que aguentam tecer mais de dois cachecóis no mesmo inverno são quase um privilégio para as classes A e B.
O 'resto do povo' tem que se contentar com tranqueiras bolotudas, pseudo pelos e peles que depois de lavados ficam parecendo 'um cobertor de doido',  'lã acrilica', polipropileno que virou seda,  e vai por aí a fora.
Ao invés de oferecer produtos de boa qualidade a um preço justo e abrangente, preferem 'dividir' os consumidores em classes.... e 'empurrar' porcarias descartáveis que tem o 'jeitão' de coisa de boa qualidade para as 'classes socialmente emergentes'.

Taxar os 'menos afortunados' de Classe C, D  e sei lá mais que classe, de idiotas, analfabetos, sem paladar, sem ouvido, sem  gosto por nada que o 'dinheiro bom e chique' pode comprar  é no mínimo uma afronta àqueles que pagam impostos iguais, trabalham tanto quanto ou até mais, sentem dor, frio, alegria e tristeza, tudo do mesmo jeito....

Gente é gente sem 'rótulo' comercial ou econômico....Gostar e querer coisas duráveis e bem acabadas não é privilégio de ninguém.

Aliás, acho que vou sair por aí com uma placa pendurada no pescoço com a seguinte frase:
Sou sem classe, e daí?!

Bom tricô e até a próxima!




terça-feira, 16 de abril de 2013

De vento em popa!

Depois de um final de semana muito triste por conta dos acontecimentos de perdas e esperas dolorosas ocorridos nas vidas de duas amigas muito queridas,  acordei hoje um pouco mais animada e com vontade de compartilhar com aqueles que visitam o blog algumas ideias para 'incrementar' a receita do xale Aconchego.

Aliás, tem arteira da Baixada Santista com as agulhas turbinadas que já teceu um Aconchego  e já está com outro nas agulhas.



Vamos e convenhamos, é muito emocionante saber que em tempos de ações imediatas, 140 caracteres e outras 'modernidades' que transformaram 'o tempo' no mais 'precioso bem',  pessoas doam carinho e boas energias através de agulhas e fios, sem pressa.

Mas voltando a falar sobre ideias para 'incrementar' a receita do nosso xale, vamos a elas:

1. Separe suas sobras de fios com espessura semelhante, faça uma bola mágica,  siga as instruções para o formato do xale mantendo as 3 faces, os 6 aumentos em carreiras alternadas e teça o xale inteiro em cordões de tricô (todas as carreiras em meia ou em tricô).

2.  Ao invés de fazer o ponto tijolinho (sugerido na receita), alterne 10 carreiras no ponto meia ou jersey com 4 carreiras de cordões de tricô (avesso e direito sempre em meia ou em tricô).

3. Não esqueça dos bons pensamentos enquanto tece. Suas energias positivas vão se embrenhar nas tramas dos pontos e quando seu xale envolver alguém, acredite, a pessoa vai se sentir muito bem....

Doar carinho em forma de tricô é algo muito prazeroso para quem dá e muito mais para quem recebe.

Bom tricô e até a próxima!

PS - Quem quiser enviar alguma foto do seu xale pronto escreva prá mim
Pretendo montar uma galeria cheia de Aconchego...... 



terça-feira, 9 de abril de 2013

Doe um xale e ganhe um abraço!


Sempre achei o máximo da boa vontade as campanhas solidárias promovidas por pessoas absolutamente do bem como a Veralu do Saco dos Bebês  ou a Alina do Maré de Amor, só para citar duas pessoas que conheço pessoalmente, que doam seu tempo, seu trabalho de horas e mais horas tecendo ou ajeitando as doações de fios e trabalhos concluidos, organizando a arrecadação e distribuição  de tudo que recebem.
De quadradadinho em quadradinho, de um parzinho de sapatinhos daqui e um casaquinho vindo de algum ponto longínquo do Brasil, essas arteiras com seus gestos de amor ao próximo aquecem os menos favorecidos e espalham sementes do bem com a ajuda de fios e agulhas.
Sei que sou meio relapsa para acompanhar essas  'moças do bem' e sinceramente me sinto super culpada por minha faltade atuação.
Não sei tecer nada prá bebês e nos últimos 3 anos doei apenas uma manta de tricô, e fios para o Saco dos Bebês.
Durante uns bons anos não conseguia sequer tricotar para mim e muito menos para presentear ou para doar, pela mais absoluta falta de tempo.
Mas como na vida as coisas mudam sem mandar aviso prévio, hoje, se por um lado não tenho ganhos materiais com o tricô, tenho ganhos de alegria em tecer para presentear e até para doar.
E foi numa dessas de tecer para presentear uma amiga muito querida que fará um transplante renal daqui a alguns dias que surgiu a idéia de criar uma receita de xale fácil,  aconchegante e pedir para  algumas amigas 'testarem ' a receita para eu poder publicar.

Pois bem, o pedido para 'testar' a receita foi acompanhado de segundas intensões: tecer para doar e.....
Meia dúzia de arteiras aceitaram o convite para fazer o xale sem ao menos ter a receita em mãos.
Nasceu aí a idéia para 'extender' essa coisa de aconchegar com um xale, doando-os para  avós e mães muitas vezes esquecidas nos asilos.

Por conta do 'prestígio' que este espaço tem,  achei legal  pedir àqueles que seguem o blog para abraçarem com suas agulhas e fios a receita do Xale Aconchego, doando um pouquinho do seu tempo e participando da  campanha: 

Doe um xale e ganhe um abraço!


que começa a partir de hoje aqui no blog em parceria com o Saco dos Bebês que irá receber os xales prontos até o final de junho de 2013 e que serão doados até a primeira quinzena de julho para alguma instituição idônea.

Quer participar? Então é só baixar a receita do xale aqui ou aqui, tecer o xale com muito carinho seguindo as instruções e depois de pronto enviar para:

VERA LUCIA KRAUSS
CAIXA POSTAL 2520 
CEP 09190 971 – Santo André - SP

Quer divulgar a iniciativa no seu blog ou no Facebook, então escreva pra mim que lhe envio o arquivo com a foto de divulgação da campanha. 

Tem dúvidas sobre a receita, deixe um comentário aqui no blog que eu respondo com o maior prazer.

Quer ganhar um abraço e um sorriso de alguém que precisa de um aconchego, então mãos- a- obra, porque custa muito pouco fazer alguém feliz!

Bom tricô e até a próxima!








segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A vida tem dessas coisas


Agora que 2013 finalmente começou, afinal o Carnaval já passou, chegou a hora  de reaquecer o blog,  ou melhor, 'desta que vos escreve', dar o ar da graça e tentar explicar o porque do sumiço.
Na verdade, não houve nada de tão especial assim, a não ser que a saúde foi pro pau em 2012. Que tive de mudar de casa o que foi uma verdadeira maratona  e por conta disso perdi o pique de escrever. Um quase inferno astral de 365 dias.
No final de  agosto de 2012 também parei de 'colaborar' com a AslanTrends o que me deixou ainda mais deprê. Afinal, foram mais de 4 anos de parceria e aí me vi que nem cachorro correndo atrás do rabo.
Fiquei tão perdida que não criei mais nada e me limitei a fazer muito pouco com as agulhas.

]Antes porém de incerrar minhas atividades com a Aslan criei dois projetos muito legais dos quais me orgulho muito.
Ambos acabaram virando um "vamos Tricotar junto" promovido pela a Aslan e que renderam grandes projetos.e muitas alegrias.
Como ' boa mãe coruja' acho que o Xale Lilae foi a minha receita mais bonita até agora.




Lá no Ravelry  dá para ver o quanto fez sucesso e muito provavelmento continuará a encantar quem o teceu ou ainda vai tecer. A receita está disponível  aqui 

A outra 'prata da casa' foi a condução de um super projeto individualizado de uma blusa que podia virar casaco ou suéter masculino, de acordo com o gosto do fregues.
Como cada um teceu o que bem desejou nada mais adequado do que o nome "A moda da Casa" para a receita, que na verdade é um tutorial para projetos tecidos de cima para baixo ou raglan invertido, como eu costumo chamar o tal do 'top-down'.

A idéia original de escrever o tutorial partiu dessa blusa básica


E que acabou resultando em projetos absolutamente incríveis!


Para saber mais sobre como fazer essas artes tão caprichadas é só acessar o tutorial aqui 
Para quem não faz a menor idéia do que é o Ravelry, sugiro uma boa lida nos textos incrivelmente bem escritos dessa moça linda que com a maior competência explica o passo-a- passo de como se cadastrar e viajar nesse mundo virtual das artes tricotísticas e crochetísticas.
E como eu disse lá no começo, a vida tem dessas coisas e não vale a pena pensar no que se foi ou no que poderia ter sido. E viva 2013!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Voltei com a corda toda.


De repente me dei conta que o blog simplesmente parou no tempo  há 10 meses.
Que vergonha!
Não há justificativa plausível para tanto descaso.
Mas enfim, sempre há tempo para retomar projetos deixados 'ensacolados'. O blog está empoeirado pelo abandono, mas nada que uma sacudida não resolva (eu acho).

Estou voltando com a corda toda para falar sobre o 'novo' tricô e 'crochê' cantado em verso e prosa em vários editoriais ou materias publicadas em páginas da web ou outros quetais.

De repente fazer tricõ ou crochê virou coisa modernosa, 'slow fashion' e sei lá  mais o que 'chique' porque esta na moda dar nome 'ingreis' aos bois, ou às artes com duas agulhas.

Me espanta o pouco caso ou descaso que estas matérias fazem das avós que tricotam ou crochetam desde antes de seus cabelos embranquecerem. Envelhecer faz parte da vida e não tem como pular esta etapa na linha do tempo de cada um.

Gentem! Tricô e crochê é coisa de vó, sim e também.

Há raras exceções gente jovem e bonitinha apredeu seus primeiros pontos com as avós e tias.
Qual é o problema com o tricô da avó? Qual é problema de não ser jovem e adorar tricotar? O que é novo hoje, em breve será passado e também 'velho'.

Será que de repente todo mundo acha que só os jovens sabem usar suas agulhas e fios  e que só eles tem talento? Tadinha da Elisabeth Zimmerman e da Barbara G. Walker. Essas duas 'vós' não sabiam nem sabem nada de tricô....
Às vezes fico com a impressão que querem reinventar a roda....

E o que falar dos 'importados' para a linguagem da moda.
Qualquer coisa de malha, inclusive camiseta de algodão hoje virou 'tricô', já que  importaram a palavra do inglês 'knitting' ou 'knitwear'.  Ai que 'meda'!
Sou do tempo que tricô era tecido à mão ou a máquina e nada tinha a ver com tecido de malharia circular, também conhecido como 'pano' para camiseta.

Não sou avó porque a vida não me permitiu tal feito extraordinário, mas mer orgulho muito de ter aprendido a tricotar a quase meio século atrás e sem nenhum deslumbramento ou ilusão de que o tricô  iria mudar o mundo. Tricotar para mim sempre foi uma coisa legal. Simples assim.

Então  vamos combinar: tricô é coisa de vó sim, e com muito orgulho!